Pouca grana, pouco tempo e uma história incrível para contar. Fernanda Grandesso, diretora de arte e produtora de objetos, revela o desafio de montar o glamouroso cenário do filme e coordenar seus alunos da Gatacinescola…
Qual foi a proposta de direção de arte do filme?
Um ambiente luxuoso para uma festa com luxúria, vaidade, cobiça, drogas, loucura, um universo onde o dinheiro fala mais alto… Conforme o roteiro evoluiu, surgiu a proposta de trazer para a festa os universos do teatro, da ópera, de alguma realeza imaginada, buscando referências clássicas e nobres. O teatro, simbolizado em máscaras e objetos oníricos, traria a loucura e tudo seria permitido como personagens malucos como o palhaço saxofonista ou o chapeleiro. A ópera acrescentaria o luxo e esplendor das cortinas de veludo, lustres de cristal, tapetes orientais, cor de vinho e dourado, pratarias, velas e castiçais, além da performance e do espetáculo, que tinha tudo a ver com a apresentação das lutas. A nobreza estaria presente em tudo, desde a caracterização dos garçons até a própria mobília da festa.
Tudo isto teve que ser produzido em uma leitura atual e moderna, mostrando que a história se passa hoje, em uma época de muita tecnologia e drogas sintéticas.

Theodoro Cochrane na pele do chapeleiro
Os filmes nacionais normalmente exibem um cenário de muita miséria, mas Rinha vai denunciar a disparidade social através do luxo. Como você procurou trabalhar isto no cenário?
O roteiro já apresentava a disparidade entre o luxo e a miséria principalmente ao apresentar a personagem Maria. O luxo no filme pode ser interpretado até como absurdo: um bando de burgueses esnobes e arrogantes que torram seu dinheiro em apostas e drogas enquanto se divertem vendo seres humanos se matarem por alguns dólares. O luxo tinha que ser bastante evidente. Desta forma a direção de arte ajudou a mostrar o exagero desta nobreza, o que acentuou a disparidade social.
Os alunos da Gatacinescola tiveram aulas com você antes de caírem na parte prática. Como foi a experiência de cuidar da direção de arte de um longa e, ao mesmo tempo, coordenar o trabalho de 11 aprendizes?
Foi muito gratificante e certamente alguns destes alunos estarão comigo em outros projetos. Contar um pouco da minha experiência no cinema e orientar as escolhas da arte neste projeto foi a experiência mais interessante. Fiquei feliz com as contribuições dos alunos, que confeccionaram alguns objetos e adereços que precisaríamos usar nas filmagens. O trabalho deles foi importante para o filme. E como eles trabalharam! Foi muito legal orientá-los no set, como preparar a próxima cena que seria filmada…

Alunos da Gatacinescola:
O aprendizado que começa na sala de aula e se concretiza no set
O que você acha que o filme causará nas pessoas?
Acho que vai divertir e incomodar as pessoas.
Qual foi a experiência mais importante que Rinha trouxe para sua carreira?
No início parecia uma proposta maluca. Tínhamos pouca grana, pouco tempo e uma história incrível para contar. Um ambiente enorme e que precisava ser montado de forma luxuosa. A arte precisava bolar uma fórmula de trabalho que funcionasse estética e financeiramente! Este exercício prático, sem dúvida, foi valioso para minha carreira. Além disso, foi importante ter ao meu lado os “meus alunos”. É muito bom ensinar meu oficio para alguém interessado, principalmente porque o que faço se aprende - na grande maioria do tempo - apenas na prática, como fizemos na Gatacinescola… Vou levar esta experiência adiante e sempre que possível vou procurar estes aprendizes interessados.
Quais são seus planos para este ano?
Continuar trabalhando na arte, em filmes de curta ou longa duração e também em publicidade.