
O diretor de fotografia de Rinha e designer responsável pelo site do filme, Rodrigo Tavares, fala sobre o desafio de fazer um filme em 20 noites e aposta no realismo das lutas como trunfo da fotografia do filme…
Você e Galvão são sócios da Gatacine e parceiros de trabalho desde a época da faculdade. Como foi a experiência de fazer este longa ao lado dele?
Rinha é o nosso quarto longa juntos e meu terceiro filme como diretor de fotografia. Fazendo uma analogia com futebol, sei como ele gosta de receber a bola.
Qual a principal característica da direção de fotografia de Rinha? O que você buscou?
O Galvão dirige atores de uma forma excepcional e eu procuro garantir espaço físico para eles no set, buscando sempre uma solução que dê mais mobilidade e liberdade. Outro aspecto importante de Rinha é o fato do filme ser noturno: costumo me decepcionar quando vejo filmes fotografados de noite, acho-os sempre claros demais. Assim minha primeira preocupação foi ficar no limite, afinal a noite é escura, sombria e a situação pedia isso…
Quais foram seus principais desafios?
Tínhamos que terminar o filme em 20 dias, então agilidade e segurança foram primordiais. Não dava para ficar indeciso na hora de fazer a luz. Para podermos cumprir o cronograma, optamos por 3 câmeras que, embora dificultem a iluminação, acabam agilizando o processo com melhor aproveitamento dos atores, já que o Galvão gosta de deixá-los soltos para improvisar. Ao contrário, quando você grava primeiro um ator para depois gravar o outro, perde-se a atuação de um dos dois.
Há alguma cena, em especial, que você acredita estar impecável para brilhar na telona?
Sem dúvida alguma, as lutas… Fazer o filme com câmeras pequenas tornou-se nossa maior vantagem, pois as cenas de luta nunca iriam ficar desse jeito com equipamentos maiores. Conseguimos não só realismo, mas uma proximidade nunca antes feita, já que os socos foram de verdade. Como disse o Makino, um dos câmeras: “eu queria gravar um soco a menos de 30 cm de distância”.
Quais são seus referenciais de direção de fotografia? Que filmes você daria nota 11 neste quesito? Por quê?
Vittorio Storaro… Sua fotografia para o Apocalypse Now é a minha preferida. Também gosto muito do trabalho do Janusz Kaminski que fotografa os filmes do Spielberg, além de Michael Chapman que fez Touro Indomável e Taxi Driver. Não posso esquecer do Cezar Charlone do Cidade de Deus e do Walter Carvalho que fez a fotografia do Abril Despedaçado. Gosto deles pois, como busco muito realismo na minha luz, admiro muito os fotógrafos que conseguem fazer uma fotografia tão mágica a ponto de eu esquecer que ela não é real…
Além de diretor de fotografia, você é também o designer responsável pelo site oficial do filme. O que você buscou conceitualmente em termos de direção de arte?
Tentei manter o conceito da direção de arte do filme, no qual a Fernanda buscou elementos de ópera e teatro para compor os cenários. Então optei por uma tipografia bem rebuscada e usei estampas de papel de parede para compor as páginas.
Quais portas Rinha deverá abrir para a Gatacine?
Espero que a Gatacinescola se firme como instituição e que a partir de agora tenhamos apoio para podermos colocar alunos em todos os nossos filmes. E o mais importante: esperamos trazer parceiros para produzir nosso próximo filme - Colegas - ou pelo menos ter retorno financeiro suficiente para bancá-lo sem apoio nenhum como fizemos com o Rinha.