“O Dia Online” publicou nesta segunda-feira (24) matéria sobre o longa-metragem “Rinha”. Confira íntegra assinada pela jornalista Olívia Mendonça na seqüência.
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‘A Rinha’ retrata universo de playboys que gastam fortunas em lutas clandestinas
Rio - Sexo, drogas, violência e dinheiro, muito dinheiro, são os elementos essenciais do novo filme de Marcelo Galvão. O publicitário, que já conseguiu a proeza de realizar um longa com apenas R$ 30 mil reais, o ‘Quarta B’, mais uma vez lança mão de seu bolso e com R$ 250 mil produziu o ousado ‘La Riña’ ou ‘A Rinha’, sobre o universo das rinhas humanas, que estréia nos cinemas no segundo semestre.
Baseado em fatos reais, o filme se passa numa festa clandestina em São Paulo, onde a elite milionária da cidade se encontra numa noite de luxúria regada a drogas, sexo e apostas. “Essas festas existem mesmo. Recentemente, em Osasco, a polícia flagrou um evento desses, onde as pessoas apostavam em rinhas com pessoas”, conta o ator Leonardo Miggiorin.
No longa, ele vive um playboy rico que leva seu próprio lutador para apostar na festa. “O Curly, é um garoto de 20 anos, que se acha esperto e quer se dar bem nesse jogo de apostas de festas clandestinas que as pessoas só sabem pela Internet. Ele chega a apostar a irmã mais nova”, conta o ator.
A irmã em questão é Fernanda, vivida pela atriz Maytê Piragibe, que fez sua estréia no cinema. “A Fernanda é uma menina de 16 anos, que cai na festa por acaso, não sabe do que se trata, e toma um susto quando vê aquela loucura toda”, explica Maytê, que diz ter chorado muito durante as filmagens: “Era uma tensão: as lutas eram de verdade. Os lutadores eram profissionais, estão acostumados a se machucar, mas eu ficava estarrecida com aquilo”.
No filme de baixíssimo orçamento, os lutadores foram os únicos que receberam para trabalhar. “Chamei pessoas que conheço. Sou faixa-preta em jiu-jítsu”, diz o diretor, Marcelo Galvão.
Apesar de os atores e a equipe serem brasileiros, o filme é falado em inglês, com alguns diálogos em português e espanhol. “Estou visando o mercado internacional e já tem bastante gente interessada no filme. Vou para o Festival de Cannes (maio) mostrar para distribuidores. Muita gente achou estranho colocar o pessoal para falar em inglês, mas os americanos fazem isso direto. Se ‘Cidade de Deus’ fosse em inglês atrairia mais público”, especula.
O diretor defende a idéia de que o cinema nacional pode ser comercial. “Já que ia fazer um filme com meu próprio dinheiro, quis fazer um que me desse grana. Também quis fugir do tema favela, pobreza… Resolvi falar de dinheiro, carrões, mulheres bonitas”, explica Marcelo, que se inspirou em ‘Amores Brutos’, do diretor mexicano Alejandro González Iñárritu: “Além do tema, a edição também é parecida. São várias historinhas paralelas que se encontram”.
FILME FOI RODADO EM 20 DIAS SOMENTE À NOITE
Foi tentando fazer um longa sobre portadores de Síndrome de Down que Marcelo Galvão acabou filmando ‘A Rinha’. Orçado em R$ 3 milhões, ‘Colegas’ é um sonho antigo do diretor, mas de tanto receber ‘não’ na hora de captar o dinheiro do patrocínio, ele decidiu gerar sua própria receita. “Não adianta ficar como alguns diretores, esperando 25 anos para realizar o filme de sua vida. Para o cinema brasileiro virar uma indústria é preciso que se inove e que as pessoas se movam e ousem”, alfineta.
Marcelo acredita que os R$ 250 mil de ‘A Rinha’, tirados do próprio bolso, logo darão retorno. “A grana toda é minha, então se o filme fizer 100 mil espectadores, já me paguei e ainda tiro um lucro para produzir o meu próximo projeto. Criamos a indústria”, avalia. Mas o orçamento curto também tem suas limitações. “Tive que pensar num roteiro do tamanho das minhas posses. Optei por um cenário único e foram somente 20 dias de filmagens, sempre durante a noite”, conta Marcelo que teve a ajuda dos alunos do curso de Cinema de sua produtora, a Gatacine.