Confira entrevista com Ed Côrtes, que assina a trilha sonora de Rinha. Ed já trabalhou em várias produções importantes como Cidade de Deus, Senhor das Armas e Abril Despedaçado.

Ed Côrtes: “Tem filme que tem grana, mas não tem idéia. Se tem idéia, me interessa.”
Qual é a proposta da trilha sonora que você criou? O que você quis provocar?
O filme é cru e forte. O mais importante era não perder essa emoção das lutas, do clima de atuação, a emoção que provavelmente rolou nas filmagens e, se possível, acentuá-la. Neste caso, tinha que incomodar, causar desconforto - como o som dos socos.
Embora tenha passado as linhas gerais do que esperava em termos de trilha sonora, o diretor Marcelo Galvão te deixou livre para criar e propor. Como funcionou a interação de vocês?
Ele me deu um DVD, eu assisti, gostei e reagi. Mandei pra ele uma primeira idéia, ele gostou e daí pra frente foi só alegria. O Marcelo, além de extremamente talentoso e inteligente, é muito educado e aberto a idéias novas. Todas essas qualidades juntas são bem raras.
Você mistura dois estilos bem distintos no filme: existe a trilha do filme e a trilha da festa. Qual a característica central de cada uma?
Não cabia, na nossa opinião, uma trilha neutra pra festa. Ela tinha que ter uma cara, uma personalidade. A festa tinha que ser louca e diferente. Nós tentamos outros estilos (free jazz e eletrônica), mas a ópera que completou melhor a pintura. A trilha original é das lutas, dos personagens - ela foi feita procurando cada emoção e tentando alinhavar o filme como um todo.
No caso da trilha do filme, como foi o processo de criação? Que referências e instrumentos foram usados? Como poderíamos classificar esta trilha em termos de estilo?
Eu comecei pelas lutas, queria achar um incômodo ali. Usei uma sanfona indiana “mexida” pra criar uma cama (composição base de uma trilha sonora). Depois gravei um balde cheio de tralhas pra acentuar alguns momentos. Depois fui adicionando elementos musicais. Quando já tinha a palheta de sons fiz o tema. Não sei classificar o estilo, tomara que esteja dentro da turma das “que funcionam”.
No caso da trilha da festa, a ópera parece ter dado um toque histérico e totalmente bizarro à festa. O que você achou do resultado final?
Eu adorei a ópera. Tem tudo a ver com o “Garcia” que organiza as festas, com as perucas, as máscaras…
Você é um profissional extremamente renomado no mercado, assinando trilha de filmes importantes dentro e fora do país. O que te atraiu no Rinha?
O roteiro, a direção, a montagem, a proposta do filme, a galera, tudo. Tem filme que tem grana, mas não tem idéia. Se tem idéia, me interessa.

Ainda devo assistir ao filme algumas outras vezes, pois preciso ajustar detalhes na tradução e legendagem em português (o filme foi feito em inglês). Na montagem final do diretor, a história passou a ser narrada por Patrick (Christiano Cochrane - foto ao lado), o mais poderoso e inescrupuloso playboy do pedaço, ex-aluno do colégio americano. Com isto, a narrativa de Rinha ficou pesada e o desafio foi traduzir o “tom” sociopata, agressivo e prepotente de Patrick para as legendas.

