
Bastidores do set de Rinha
Por Paulo Henrique Marcondes
Rinha vem a reboque do crescimento do vale-tudo no Brasil que leva cada vez mais jovens a se lançarem nos ringues amadores em busca de dinheiro e fama. “Ainda há lutas amadoras que lembram rinhas de galo. Nelas, dois lutadores sobem num ringue tosco, sem qualquer infra-estrutura, e dão início a carnificina” diz Fellipe Awi em matéria capa na revista O Globo de outubro de 2007.
Lutas: Um Mercado em Crescimento
No último ano, as periferias das grandes cidades brasileiras testemunharam um boom de lutas amadoras, resultado da popularizacão e crescimento do esporte no mundo todo. No Brasil, existem lutadores ganhando R$ 50 mil numa noite e, nos EUA, já há brasileiros faturando quase R$ 1 milhão só para subir no ringue. O Ultimate Fight Championship (UFC), a maior liga de MMA (artes marciais misturadas, na sigla em inglês Mixed Martial Arts) do mundo, foi considerado recentemente pela revista Exame uma das 10 marcas mais valiosas do globo, movimentando milhões em produtos licenciados e apostas online.
Ano passado, o Brasil ganhou sua primeira liga de MMA, a MTL. Um de seus maiores entusiastas é o publicitário Nizan Guanaes, acionista da empresa de marketing que quer popularizar o esporte. A dona da liga é a empresária Mônica Marchett, referência do agrobusiness no Brasil. Outros dois torneios de destaque são o Gladiator Combat no Rio de Janeiro e o Rio Heroes em Osasco, São Paulo. Este último contava com uma rede de transmissão internacional e apostas pela internet. Ele foi fechado pela polícia do Estado no início deste ano como evento clandestino.
Diretor Faixa Preta
Marcelo Galvão, faixa preta em jiu-jitsu e assíduo espectador de eventos de luta, conta em seu filme Rinha (baseado em fatos reais) a história de uma cúpula endinheirada que se diverte apostando dinheiro em lutadores da periferia que se digladiam dentro de uma piscina vazia. “Eu conheço essas pessoas e esse tipo de evento”, afirma o diretor que depois de uma carreira premiada como redator em diversas agências de publicidade no Brasil e no exterior decidiu largar tudo para se dedicar ao cinema.
Venceu a Mostra Internacional de São Paulo em 2005 com o polêmico Quarta B eleito por voto popular, dirigiu Fábio Assunção em Bellini e o Demônio, o que rendeu ao ator o prêmio de melhor atuação no Festival de Cinema Brasileiro em Los Angeles. Recentemente conquistou o júri especializado, levando o prêmio de melhor roteiro no Festival de Paulínia com o projeto de seus sonhos Colegas, protagonizado por um casal portador de síndrome de down.
“Colegas é road movie, um filme bem mais caro comparado ao nosso filme atual, feito em uma única locação. Rinha foi planejado com base em dados de mercado e feito com recursos próprios (sem recorrer às leis de incentivo). Com o seu retorno esperamos concretizar Colegas”, afirma o sócio de Galvão e fotógrafo do filme Rodrigo Tavares.
Seguindo os moldes de filmes como “Snatch” e “Clube da Luta”, Rinha é uma espécie de ficção pulp, uma deliciosa mistura de humor e violência. Não por acaso, Rinha foi selecionado para a mostra competitiva da Première Brasil do Festival do Rio, maior vitrine atual do cinema brasileiro, tendo seguido para BH no Festival INDIE 2008. Agora chega a hora do polêmico longa estrear em São Paulo no próximo dia 19 durante a 32ª Mostra Internacional de Cinema…
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